Cabeçalho para o blog. Imagem predominante azul. Fábio, dono do blog, saltando de uma pedra em um poço de cachoeira. Sobre o restante do banner, os dizeres 'Calado é um poeta. desenhoedesenvolvo.com.br/blog'

Fazer qualquer coisa sem um motivo é muito ridículo

Publicado por Fábio Andrade em: 15/jul/16


Ontem senti vontade de fumar duas vezes no mesmo dia. Isso até seria normal para um jovem de vinte e dois anos, não fosse por um pequeno detalhe: eu não fumo. Não faz O MENOR SENTIDO eu ter sentido vontade de fumar DO NADA. Minha teoria é de que na verdade eu só queria um motivo pra ir no pátio do prédio e não fazer nada e, convenhamos, seria meio ridículo ficar de pé no pátio, sozinho, sem nada na mão. Acho, aliás, que é assim que os vícios nascem.

Mas esse texto é sobre não fazer nada ou fazer algo sem motivo aparente. Já percebeu o quanto é RIDÍCULO se alongar ou levantar da cadeira durante o expediente, se esticar e sentar de novo? Eu mesmo nunca nem tentei.

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É bem ridículo mesmo, ó

Se você não tem um motivo para levantar, ora – eu acho extremamente engraçado usar a palavra “ora” dessa maneira  – , não perca seu precioso tempo se levantando para não fazer nada, FAÇA ALGO ÚTIL.

Não sei vocês, mas as vezes eu tenho a sensação de que estamos o tempo todo cumprindo algum honorário e que durante esse período (sempre), temos que ser úteis. Repara que as pessoas em volta acham meio ridículo você “não fazer nada”, em qualquer circunstância. Quem de repente é pego fazendo alguma coisa que não seja útil ou que não tenha um motivo é taxado de esquisito.

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Olha que ridículo esse retardado parado sem fazer nada.

 

Admite aí, você com certeza já justificou uma saída pra esticar as pernas com um “vou ao banheiro”, “vou fumar”, “vou ver se acho algo pra comer na cantina” ou “vou beber água”. Aliás, o melhor momento do dia na firma muitas vezes é quando um, dois, três, quatro colegas inventam de “ter sede” exatamente na mesma hora.

Aqui uma imagem ilustrativa do maior agente de interações sociais da empresa onde você trabalha

Pois acho que devíamos mudar isso! Proponho combinar, só entre nós aqui, não achar ridículo quando o coleguinha fizer uma coisa esquisita tipo dar uma corridinha no corredor do prédio sem motivo aparente. Afinal não adianta PORRA NENHUMA ficar sem fazer nada pra relaxar se isso pesa sua consciência, você nem descansa.

Aliás, proponho uma ANÁLISE ainda mais PROFUNDA: o que há de errado em ser ridículo? Talvez a gente ande tão estressado justamente porque estão tirando o nosso direito de sermos ridículos.

A gente devia lutar com mais afinco pelo direito de não fazer nada. E de fazer algo sem justificativa nenhuma. E de ser ridículo.




Manual do fla-flu ideológico

Publicado por Fábio Andrade em: 01/abr/16


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Está em alta o conceito mais imbecil de análise política que eu já presenciei (portanto o que eu mais adoro) na minha curta vida: o “FLA-FLU IDEOLÓGICO”.

Acredito profundamente que não faça O MENOR SENTIDO comparar ideais políticos com ideais de torcida de futebol porque, ainda que estejamos vivendo uma época de extrema polaridade, são conceitos completamente diferentes de paixão. Aliás, não quero explicar paixão nesse texto, pelo amor de deus!

Quero trazer uma ANÁLISE ACERTADA™ e racional acerca de TÁTICA, trazendo a política não para a arquibancada, mas para dentro das quatro linhas.

Vai fazer algum sentido? Definitivamente não. Estarei perdendo o meu tempo? Decididamente, SIM! Mas vamos lá:

PT – Um típico meia destro que joga na ponta-esquerda: flerta com a linha de fundo mas volta e meia corta pro centro pra bater de direita.

PSTU – Lateral-esquerdo (portanto canhoto) que insiste em carregar a bola até a linha de fundo mas nunca sabe o que fazer com ela porque não sabe cruzar. Geralmente faz alguma cagada na defesa e entrega o jogo.

PSOL – Meia reserva canhoto, tido como polivalente mas que não joga bem em posição nenhuma. Pra piorar fica infernizando o técnico com ideia errada na beira do campo.

PCdoB – Atacante falso nove que, de certa forma, fica ali na área central do ataque puxando a marcação enquanto o PDT bota a bola em profundidade pro PT chegar batendo de fora.

PDT – Meia articulador que põe a bola onde quer, mas que está muito próximo da aposentadoria e já foi mais eficiente no passado.

PMDB – Volante batedor. Aquele infeliz que parece ser clássico e elegante mas bate até no treino, contunde os próprios colegas de time. No jogo, não se importa de ser expulso e prejudicar o time.

Toda época de fim de contrato flerta com o maior rival

PCB – Ponta esquerda aposentado, aprontou muito nos seus tempos de juventude, quase sendo o melhor jogador do país. Não conquistou muitos títulos e foi esquecido pelo grande público.  Tentou carreira como técnico mas não vingou por não se adaptar ao moderno e ter pouco comando. (Aqui contamos com a ajuda do amigo internauta. Agradecimentos especiais ao ISENTAÇO™ @abnerdourado)

PSDB – Aquele adversário (pode ser de qualquer posição) que não faz porra de nada o campeonato inteiro, mas quando vai jogar contra o “Governo FC” dá um trabalho desgraçado, faz chover em campo e sai sendo elogiado em todos programas ruins de mesa redonda da TV.

DEM – Cartola desgraçado que nunca jogou futebol, nunca foi ao estádio torcer nem sequer vestiu alguma camisa na vida, mas acha um jeito de se envolver na cartolagem a fim de se favorecer de alguma maneira (geralmente no âmbito financeiro).




Num domingo

Publicado por Fábio Andrade em: 30/mar/16


Quero morrer em um domingo. Bem no meio dele. Quero que meus últimos (dois?) dias sejam de descanso e que a morte me chegue antes de começar a angústia de perceber que em poucas horas será segunda de novo. Não quero ser morto pela rotina. Não quero morrer com a sensação que estou sentindo agora, por exemplo.

Também não tenho planos de viver até conseguir uma aposentadoria, nem que minha morte seja esperada, que esteja doente ou cansado, que digam com pesar que “foi o melhor pra ele”. Não quero que minha vida chegue a ser patética a ponto da morte ser “melhor” pra mim.

Só quero morrer no meio de um domingo. Pode ser até no próximo. Saio com os amigos ou fico em casa com minha namorada, me divirto, durmo bastante, ouço umas músicas e quando a rotina pensar em se aproximar, PLOFT, acaba o Fábio. Perfeito.

É que quando se vive com o coração na boca e refém de um erro que cometeu e que arrastou toda sua vida, morrer passa a ser um “tanto faz” como qualquer outro. Quando se tem crises de depressão na hora de acordar e de ansiedade no restante do dia, até na hora de dormir, tanto faz como vai ser, se garantidamente isso parar. Não é que eu faça questão da morte. Muito menos que corro atrás dela. É que não fujo mais.

Espero que neste esperado domingo, excepcionalmente, não esteja com o resto da ressaca de sábado. Quero estar bem. Quero pegar a todos de surpresa, e a mim também. Não quero nem saber que morri.

Aliás, não quero nada.

Só quero morrer em um domingo. Bem no meio dele.




Fanfic – 8 reais a garrafa

Publicado por Fábio Andrade em: 26/mar/16


willian waack sai com amigos
fim de noite, vai pagar a conta
já está consideravelmente bêbado pois achou que tava barata a cerveja
nesse momento waack estranha o valor somado pelo caixa
“quanto que é cada garrafa?”, pergunta
de pronto o atendente responde: “oito reais”
o jornalista já não consegue ter reações negativas pois está alegrinho da bebida
também não consegue rir de nervoso
seu rosto está dormente por conta do álcool
não há nada de pertinente que waack consiga dizer neste momento
nada consegue diminuir a sua dor
ele olha no fundo dos olhos do atendente
pega o cartão do bolso
entrega na mão dele

“no crédito, por favor”

 




Enfia o gringo no cu

Publicado por Fábio Andrade em: 22/fev/16


Sério, enfia. Eu sei que parece coisa do Olavo de Carvalho essa coisa de cu, mas enfia.

Paulinho Vilhena socorre banhista gringo que se afogava na praia

Toda hora agora é isso. O gringo vem pra se divertir, se diverte, vai embora pro paisinho fresco dele, pega a azanga do computador e fala um amontoado de bosta sobre o nosso país.

E a gente engole. Quer dizer, engolia, né? Engoliu até finalmente chegar o esperado dia em que o gringo pegou pesado demais na hora de bostejar sobre nossa nação: foi xenofóbico e nos ofendeu de diversas maneiras, chegando até a ser misógino a ponto de dizer que nossas mulheres só servem pra sexo. Explodiu de gente xingando e posteriormente denunciando o gringo.

A verdade é que nós damos moral demais pra esses gringos. Esquecemos que eles simplesmente não se importam com a gente. Quando dão “dicas” de como nosso país deveria ser, de como deveríamos agir, estão só querendo mostrar superioridade e uma civilidade que, cá pra nós: eles nem têm.

E é aí que tá: o gringo “bonzinho” que quer nos ILUMINAR com todo seu conhecimento sobre como viver como uma civilização desenvolvida geralmente é do mesmo lugar e da mesma cultura do gringo que chama a gente de vagabundo, burro, miserável e que trata as mulheres brasileiras como bonecas infláveis.

O único tipo de gringo possível é o que vem, se diverte, Usa A Mesma Fantasia Por Três Dias E Já Nem Sabe Mais O Que Está Bebendo, arruma as malas e vaza. Pisa no Brasil, solta uma graninha pra nós e vai embora. Ele não quer e nem tenta fazer análises rasas sobre a situação do nosso país ou sobre o que entendeu dele. É o gringo sincero que não esconde os próprios problemas no rabo pra falar dos nossos.

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Inglês Que Usou A Mesma Fantasia Por Três Dias E Já Nem Sabia Mais O Que Estava Bebendo

 

Quanto ao resto dos gringos, não cabe a nós somente aceitar ou não aceitar, concordar ou não concordar com o que eles dizem. Nosso papel agora é pegar a opinião do forasteiro que fizer pouco de nós e de nossa cultura, fingir que ouviu e responder de maneira direta (e de preferência na língua dele, para que ele possa entender) um sonoro “pega sua opinião e enfia no cu”.

Se você, ainda assim, quiser considerar a opinião do gringo que escolhe nos desrespeitar e pagar de iluminado, pega você o gringo e enfia ele no cu.

 

Atualizado em: 02/08/2016




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