Revitalização dos rios urbanos e o erro das canalizações foram debatidos no Encontro Internacional

03/12/2017

As palestras propuseram reflexão sobre como os elementos naturais foram afastados do convívio e como ainda podem ser reinseridos na vida da capital.

Os rios invisíveis de Belo Horizonte foram assuntos discutidos hoje (29), no segundo dia do 3º Encontro Internacional de Revitalização de Rios.  Pesquisador atuante nas áreas relacionadas ao espaço urbano, especialmente nos processos de desenvolvimento, urbanização e requalificação, o geógrafo Alessandro Borsagli foi um dos palestrantes. O geógrafo é autor do livro ‘Rios Invisíveis da Metrópole Mineira’, que propõe uma reflexão sobre como os elementos naturais foram afastados do convívio e como ainda podem ser reinseridos na vida da capital.

Borsagli abordou o modelo de canalização de rios, iniciados ainda no início do século passado e que perduram até hoje. “Uma prática equivocada que só trás enchentes e destruição para a cidade”, afirmou. Para ele, a técnica da canalização já se mostrou à época que não deveria ser continuada.

O arquiteto Roberto Andrés também abordou os rios urbanos no Brasil. Segundo ele, a proposta de canalizar e cobrir os corpos d’água não deu certo e o Brasil deveria fazer como Londres e Paris, onde os rios são pontos importantes de vínculo social. Andrés também lembrou as ações populares que visam a revitalização dos rios urbanos de Belo Horizonte. “È necessário urgência nas políticas públicas de implantação de políticas de saneamento e urbanização”, disse.

Experiência internacional

Ainda pela manhã, Sebastian Monsalve Gomez, um dos arquitetos colombiano apresentou como Medellín conseguiu revitalizar um rio da cidade.  Ele contou que a vontade da população transformou a realidade da cidade. Segundo ele, o ponto de mudança de Medelín foi não querer a violência, mas sim a vida, o desenvolvimento da cidade e das pessoas. “Não são as construções que transformam, mas as iniciativas de mudança das pessoas que transformam”, ressaltou.

O projeto custará um total de US$ 4 bilhões, financiados a partir de parcerias público-privadas. O escopo inclui ações de saneamento e urbanismo e busca articular os corpos d’água, os vazios verdes e as infraestruturas subutilizadas por meio da recuperação do rio.

Final

As palestras ‘Os desafios e avanços da universalização do saneamento básico no Brasil’, por Rubens Filho, do Instituto Trata Brasil; ‘Visão geral sobre o reuso de água no Brasil’, do professor José Carlos Mierzwa (USP); ‘Os 20 anos da Lei das Águas, por Wagner Soares Costa (FIEMG), José Claudio Junqueira (Escola Superior Dom Helder Câmara) e Maria de Fátima Chagas; ‘Rios de Preservação Permanente’, pelo Professor Paulo dos Santos Pompeu (UFLA); e ‘Conjuntura das bacias hidrográficas do Paranaíba, Paraíba do Sul e Grande’, por Gustavo Mallaco (CBH Rio Paranaíba), Matheus Cremonese (Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul) e Paulo Roberto Machado Carvalho (CBH Rio Grande). Às 18h, haverá ainda o Encontro da Sociedade Civil pelas Águas, marcaram as apresentações da tarde.

 

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